terça-feira, 9 de janeiro de 2018

HO´OPONOPONO

Há dois anos, ouvi falar de um terapeuta, no Havaí, que curou um pavilhão inteiro de pacientes criminais insanos sem sequer ver nenhum deles. O psicólogo estudava a ficha do preso e, em seguida, olhava para dentro de si mesmo a fim de ver como ele havia criado a enfermidade dessa pessoa. À medida que ele melhorava o paciente também melhorava. A primeira vez que ouvi a história, pensei tratar-se de uma lenda urbana. Como podia alguém curar a outro, somente através de curar a si mesmo? Como podia, ainda que fosse o mestre de maior poder de auto cura, curar a alguém criminalmente insano? Não tinha sentido, não era lógico, de modo que descartei essa historia. Entretanto, escutei-a novamente, um ano depois. Soube que o terapeuta havia usado um processo havaiano de cura chamado "ho'oponopono". Nunca ouvira falar dele, no entanto, não conseguia tirá-lo de minha mente. Se a história era realmente verdadeira, eu tinha que saber mais. Sempre soubera que total responsabilidade significava que "eu sou responsável pelo que penso e faço". O que estiver além, está fora de minhas mãos.
Acho que a maior parte das pessoas pensa o mesmo sobre a responsabilidade. Somos responsáveis pelo que fazemos e não pelo que fazem os outros. Mas isso está errado. O terapeuta havaiano que curou essas pessoas mentalmente enfermas me ensinou uma nova perspectiva avançada sobre o que é a total responsabilidade. Seu nome é Dr. Ihaleakala Hew Len. Passamos provavelmente uma hora falando em nossa primeira conversa telefônica. Ele explicou-me que havia trabalhado no Hospital Estatal do Havaí durante quatro anos. O pavilhão onde encerravam os loucos criminais era perigoso. Em regra geral, os psicólogos se demitiam após um mês de trabalho ali. A maior parte do pessoal do hospital ficava doente ou se demitia. As pessoas que passavam por aquele pavilhão simplesmente  caminhavam com as costas coladas à parede com medo de serem atacadas pelos pacientes. Não era um lugar bom para viver. Nem para trabalhar, nem para visitar.
O Dr. Len disse-me que nunca viu os pacientes. Assinou um acordo para ter uma sala no hospital e revisar os prontuários médicos. Enquanto lia os prontuários médicos, ele trabalhava sobre si mesmo. Enquanto trabalha sobre si mesmo, os pacientes começaram a curar-se. "Depois de poucos meses, os pacientes que estavam acorrentados receberam a permissão para caminharem livremente", me disse. "Outros, que tinham que ficar fortemente medicados, começaram a ter sua medicação reduzida. E aqueles que não tinham jamais qualquer possibilidade de serem libertados, receberam alta". Eu estava assombrado. "Não foi somente isso", continuou, "até o pessoal começou a gostar de ir trabalhar. O absenteísmo e as mudanças de pessoal desapareceram. Terminamos com mais pessoal do que necessitávamos porque os pacientes eram liberados e todo o pessoal vinha trabalhar. Hoje, aquele pavilhão do hospital está fechado”. Foi nesse momento que eu tive que fazer a pergunta de um milhão de dólares: 
“- Oque foi que o senhor fez a si mesmo para ocasionar tal mudança nessas pessoas?” 
“- Eu simplesmente estava curando aquela parte em mim que os havia criado”, disse ele. 
Não entendi. O Dr. Len explicou-se, então, que entendia que a total responsabilidade por nossa vida implica em tudo o que está na nossa vida, pelo simples fato de estar em nossa vida e ser essa razão, de nossa responsabilidade. Num sentido literal, o mundo todo é criação nossa. Uau!
Mas isso é duro de engolir. Ser responsável pelo que digo e faço é uma coisa, mas ser responsável pelo que diz e faz outra pessoa que está na minha vida é muito diferente. Apesar disso, a verdade é essa: se você assume completa responsabilidade por sua vida, então tudo o que você olha, escuta, saboreia, toca ou experimente de qualquer forma é sua responsabilidade, por que está em sua vida. Isto significa que a atividade terrorista, o presidente, economia ou qualquer coisa que você experimenta e não gosta está ali para que você cure. Tudo isso não existe, em realidade, exceto como projeções que saem do seu interior. O problema não está “neles”, está em você, e, para mudá-lo, você é quem tem que mudar.
Sei que isso pode parecer difícil de entender, mais ainda de aceitar, ou realmente vivenciar. Colocar a culpa em outra pessoa é muito mais fácil que assumir total responsabilidade, mas, enquanto conversava com o Dr. Len, comecei a compreender essa cura dele e que ho'oponopono significa amar-se a si mesmo. Se você deseja melhorar a sua vida, deve curar a sua vida. Se você deseja curar alguém, mesmo um criminoso mentalmente doente, você o faz curando a si mesmo.
Perguntei ao Dr. Len como ele curava a si mesmo. O que era exatamente que ele fazia, quando olhava os prontuários daqueles pacientes. 
“Eu, simplesmente permanecia dizendo 'Eu sinto muito' e 'Te amo', uma vez após outra”, explicou-me.
“Só isso?” 
“Só isso! Acontece que amar-se a si mesmo é a melhor forma de melhorar a si mesmo e à medida que você melhora a si mesmo, melhora o mundo”. 
Permita-me, agora dar um rápido exemplo de como isto funciona. 
Um dia, alguém me enviou um email que me desequilibrou.
No passado, eu teria reagido trabalhando meus aspectos emocionais tórridos ou tentando argumentar coma pessoa que me enviara aquela mensagem detestável. Mas, desta vez, eu decidi testar o método do Dr. Len. Comecei a pronunciar,em silêncio, “Sinto muito” e “Te amo”. Não dizia isto para alguém em particular. Ficava simplesmente invocando o “espírito do amor”, para que ele curasse dentro de mimo que estava criando aquela circunstância externa. Depois de uma hora, recebi um email, da mesma pessoa, desculpando-se pela mensagem que me enviara. Observe que eu não realizei qualquer ação externa para receber tal desculpa. Eu nem sequer respondi aquela mensagem. Não obstante, somente repetindo “Sinto muito” e “Te amo”, de alguma maneira curei dentro de mim aquilo que criara naquela pessoa.
Posteriormente, participei de uma oficina sobre o ho'oponopono, ministrada pelo Dr. Len. Ele tem agora, 70 anos de idade e é considerado um “xamã avô” e é um pouco solitário. Elogiou meu livro “O Fator de Atração” (The Attractor Factor). Disse-me que, à medida que eu melhorar a mim mesmo, a vibração do meu livro aumentará e todos sentirão o mesmo quando lerem. Resumindo, na medida em que eu melhorar,meus leitores também melhorarão. 
“E o que acontecerá com os livros que eu já vendi e que saíram de mim?”, perguntei.
“Eles não saíram”, explicou ele tocando minha mente mais uma vez, com sua sabedoria, sua sabedoria mística. “Eles ainda estão dentro de você. Porque nada está do lado de fora”.
Seria necessário um livro inteiro para explicar essa técnica avançada com a profundidade que ela merece. “Basta, apenas, dizer que, quando você quer ou deseja melhorar qualquer coisa na sua vida, existe somente um lugar onde procurar: dentro de você mesmo. E, quando olhar, faça-o com amor”. Mas, aprendi que basta apenas o “querer” em nossa vida para curar e que existe somente um lugar onde procurar a cura:Dentro de si. “Para curar, basta amor”.
Para cada um e todos: “SINTO MUITO!” “TE AMO!”


‘‘Não é preciso crer nas coisas, basta amá-las.
Amar é muito mais do que crer. ’’ Raul de Leoni