segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O SILÊNCIO

Os vossos atos e não as vossas palavras provarão o grau do vosso desenvolvimento.

Aprendei a guardar silêncio.

Falai pouco - e auxiliai os outros.

São estas coisas que deve aprender um discípulo do Mestre.

Não podereis ser instrumento Nosso enquanto não tiverdes aprendido e aplicado bem a lição do silêncio.

Mais prudente é guardar silêncio do que falar, quando falar é desnecessário.

Usai os vossos lábios somente para auxiliar os outros - porém não para o vosso prazer e interesse.

Vossa disciplina deve ser vigiar todas as palavras: sim todas as palavras.

Não procureis brilhar, nem falar aos outros a respeito de vós, se não tiverdes certeza de que assim procedendo ajudais aos outros - o que raramente acontece.

Nada de maledicências, mesmo quando possa parecer comentário inofensivo.

Falai aos outros somente quando puderdes ajudá-los ou defende-los na sua ausência.

Não deveis dizer aos outros o que não desejaríeis que eles ouvissem.

Se dominardes as palavras antes de passarem por vossos lábios, ajudareis a vós mesmos e aos outros - e procedendo assim, trabalhais para Nós, porque Nós somos os outros.

Deveis ser colaboradores ativos e silenciosos das forças da luz.

Mantendo-vos calmos e ativos: calmos no trabalho exterior, ativos em buscar-Nos.

Exercitai-vos energética e perseverantemente - em breve vos tornareis hábeis em dominar tanto as palavras como o pensamento.

kUTHUMI

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

MESTRE, EU NÃO SEI!


Eu era um menino quando fui para o Templo. Eu vinha de uma aldeia muito simples e acabei chegando nesse Templo, onde eu teria grandes aprendizados. E eu sabia que era um privilégio pra um menino, estudar, viver, nesse monastério.

Mas assim que eu cheguei, era um momento de muita confusão, porque estava acontecendo uma reforma... Uma ala estava sendo destruída e uma outra ala seria construída.

E eu cheguei num momento, onde eu não tinha um professor, onde eu não era pupilo de ninguém. Porque todas as pessoas estavam ocupadas.

Os que eram pequenos, pequenos alunos como eu, já estavam com as suas tarefas destinadas. Os Professores, Mentores (professores mais elevados), cada um fazendo a sua função. E eu cheguei no meio dessa confusão, sem saber onde ficar, onde dormir, onde comer, ou no que trabalhar.

E foi o sentimento mais perdido, mais triste, mais de falta, de mais angústia... Que eu senti.
Qual é o meu lugar? O que eu tenho que fazer?

E, eu procurava as pessoas... E muitos tinham feito votos de silêncio. E estavam cansados, sujos com pó, carregando pedras... E eu sentia vergonha de perguntar pra eles.

O que eu tenho que fazer? Onde eu vou ficar? Onde eu vou dormir? Onde eu vou comer? O que é certo? O que é errado?

E eu fiquei perambulando de um lugar pro outro. E chorei muito, grande sofrimento, quis desistir.

Mas, uma vez ali dentro, uma vez tendo sido deixado ali, eu sabia que aquele era o meu caminho. Então, eu fui chegando nas pessoas e fazendo o que elas faziam. Eu comecei a imitar.

Quando eu resolvi que eu iria transformar minha vida, quando eu resolvi que eu iria parar de chorar e procurar respostas... Eu resolvi que eu tinha que trabalhar, porque era o que estava a minha frente. Era o que eu podia fazer.

E se ninguém me dava atenção, se ninguém tinha tempo pra mim... Se ninguém me ensinava um ofício, se ninguém achava que eu merecia algum tipo de cuidado especial, então eu passei a achar que realmente eu não merecia.

E como eu tinha que sobreviver, eu tinha que fazer parte daquele núcleo, eu me despojei dos meus desejos, das minhas referências... Das necessidades que eu tinha em me sentir seguro, em me sentir orientado...

Eu me despojei das respostas, eu queria que as pessoas me respondessem. Eu queria que o meu orientador ali, que ele se manifestasse. E que ele dissesse pra mim: “Eu vou cuidar de você, está tudo bem e você deve fazer isso...”. Era o que eu mais queria.

E eu passei semanas buscando essa pessoa. Eu passei semanas tentando descobrir quem era o meu orientador, quem iria me cuidar, quem iria me ensinar, quem iria me dar as respostas. E um passava pro outro e o outro passava para um. E eu acabava sempre sozinho.

E, muitas vezes que eu chegava no refeitório, eu não sabia bem os horários, eu não sabia como era tocada a campainha, quem chegava primeiro, onde se sentava... Muitas vezes, eu comia apenas aquilo que sobrava. Eu passei por muitas dificuldades.

E aí, como eu era o último, um dos últimos a ficar ali me alimentando, eu ficava em silêncio. Eu comia e muitas vezes, eu ali, lavei a louça. Porque eu sobrava com aquele monte de pratos, então eu ia ajudar na cozinha.

E como eu queria falar das minhas coisas, as pessoas só colocavam os dedos nas bocas e... O gesto era: Silêncio. E eu ficava em silêncio, ia lavando a louça. Lavando, lavando, lavando, ajudando, guardando... E esse foi se tornando o meu primeiro hábito: Manter o silêncio. E ajudar quando eu podia ajudar.

E aí, de um hábito perdido ou de uma situação sem controle, como foi durante muito tempo... Arrumar a louça, ajudar, lavar, cuidar da cozinha, se transformou na minha missão naquele momento.

Então, eu já acordava pensando que eu iria ajudar na primeira refeição do dia. E que eu lavaria a louça com os outros. E eu fui ficando na cozinha, sempre no silêncio.

E eu pensava comigo mesmo: Meu Deus do Céu, que gente silenciosa, não sei se eu vou aguentar ser Monge!

Porque eu tenho que falar! Eu tenho que ouvir o que as pessoas pensam ao meu respeito. Eu tenho que ouvir o que as pessoas podem me ensinar sobre a minha história. Eu tenho que ouvir aquilo que as pessoas possam me ensinar ou compartilhar sobre as histórias delas.

Eu olhava pra aquela situação que eu estava vivendo e eu pensava: Não vou aguentar! Eu não vou aguentar! Eu não sei... Não sei aguentar... Não dá pra aguentar!

E aí, já tinha mais uma pilha e eu me jogava a lavar aquela louça, a cuidar e arrumar. E eu fui aprendendo a minha segunda lição: Eu tinha que ser útil. Me sentir útil.

Porque, todas as vezes que eu estava desocupado, vinha o sentimento, a angústia, a necessidade de perguntas, a necessidade de respostas.

E quando eu estava trabalhando, quando era útil, quando eu ajudava... Eu me ocupava, eu me sentia melhor. Eu me sentia participando daquela engrenagem. Eu não era um ponto perdido da engrenagem. Eu era parte do grupo.

Trabalhar. Fazer. Ajudar. Estar ocupado. Ser útil.

Aquilo acalmou muito o meu coração. Eu comecei a me acostumar mais com o silêncio.

Eu comecei a aceitar que eu não teria respostas pra tudo. Eu comecei a aceitar que as pessoas poderiam não ter respostas. E que eu poderia não ter perguntas.

Comecei observar que a minha mente estava doente com tantas perguntas. Comecei entender que aquilo era uma ansiedade. E comecei a ficar em paz, com tantos pratos e com tanta louça.

E um dia, já fazia muito tempo que eu estava na cozinha, o mestre chegou pra mim e disse assim:

– Hoje você vai fazer a comida.

E eu disse:

– Mestre, eu não sei.

E quando eu disse isso, ele já tinha ido embora.

E aqueles que estavam na cozinha, os cozinheiros e que já faziam tantas coisas, pessoas que eu já conhecia, com o olhar, com a convivência, que eram até meus amigos, porque alguns no meio dessa minha jornada, já sorriam pra mim, já tinham um olhar carinhoso, já sabiam quem eu era. E aquele lugar, no canto da pia, onde eu ficava... Já era o meu lugar.

E eu fiquei muito desesperado porque, imagine um aprendiz ser o responsável pela comida.

E eu disse que eu não sabia. E eu achei que o meu limite deveria ser respeitado. Como muitas vezes nós fazemos.

Eu queria que o meu limite fosse respeitado. Que as pessoas não exigissem mais de mim do que eu estava dando. Que a vida não me pusesse em situações que eu não pudesse cumprir. Eu queria que o meu limite fosse respeitado. Eu queria ter a minha zona de conforto, o meu silêncio, a minha paz, pra fazer aquilo que eu tinha que fazer.

E imaginem que isso aconteceu. Esse vulcão de pensamentos na minha mente. Nos cinco minutos seguintes daquela ordem, pra que eu fizesse a comida.

E, olhando aquelas panelas que eram quase do meu tamanho... Eu era um rapaz franzino, pequeno. Pra alcançar a panela eu tinha que subir num banquinho.

Só que eu já tinha visto aqueles homens cozinharem tantas vezes. Eu já trabalhava na cozinha há muito tempo. E eu tinha todo aquele conhecimento dentro de mim, mas, eu não tinha a responsabilidade de fazer nada daquilo.

E eu não queria ultrapassar o meu limite. Mas fui obrigado.

E quando eu vi... Não sei se movido por medo. Não sei se movido por um impulso espiritual maior. Não sei se movido pelas forças do meu destino. Eu estava ali: colocando água, cozinhando arroz e preparando os legumes.

E como acontecem com os Milagres... O fogo estava aceso, porque alguém ascendeu. Os legumes estavam picados, porque todos os que ali trabalhavam comigo na cozinha, fizeram a sua função. O azeite cheirava, o refogado com cebolas, porque alguém já tinha colocado as cebolas na panela...

E eu fui apenas me conduzindo e sendo conduzindo. Sem saber a hora que eu comandava e a hora que eu era comandado pela engrenagem que já funcionava.

E quando a comida ficou pronta, e o sabor era agradável, como o esperado... Os meus olhos se encheram de lágrimas, porque eu sabia que eu tinha participado. Eu não tinha feito tudo isso. Eu fazia parte de um todo, de um grupo, de uma engrenagem que trabalhava junto.

E, acho que foi isso que o Mestre quis me mostrar. Que eu não precisava dizer Não.

Eu até poderia dizer Não, mas, eu não precisava dizer Não.

Porque, não importava muito a minha consciência se eu sabia ou não realizar aquela tarefa.

Aquela tarefa me cabia e eu deveria estar aberto a aquela tarefa.

E é isso que eu venho dizer a vocês hoje. Não acreditem de uma forma tão intensa nos seus limites. E não se achem tão poderosos com as suas vitórias.

Porque, assim como a cozinha, a vida é um grande palco. Cheia de experiências e missões, e desafios, e pessoas, e fantasmas, e medos, e angústias, e erros, e indecisões, e solidão.

Assim como é cheia de oportunidades e de aprendizados.

Abram-se ao destino. Permitam que as situações cheguem até vocês sem tantas resistências. Não resistam ao Mal, não resistam ao Bem.

Tenham força, luz e equilíbrio para viver as coisas que aparecem para vocês viverem.

E tudo se tornará incrivelmente mais fácil.

As pessoas boas virão para ajudar. E as amizades e os relacionamentos que você construiu, às vezes com uma troca de olhar, com uma gentileza, com um carinho, com uma boa vontade... Voltarão pra vocês.

E nem tudo precisa ser falado. Nem todas as perguntas merecem ou precisam de respostas.

Nós Monges, sempre acolhemos o silêncio. Porque o silêncio faz bem. O silêncio ajuda a mente a repousar. Serena as respostas.

O meu Mestre, era o Mestre Lanto. Figura sagrada que eu sigo até hoje, com profundo respeito e com profundo amor. Eu sou só um aprendiz.

Ele dizia isso pra mim:

– Eu vejo Deus em você. Da mesma forma que você vê Deus em mim.

E aprendi muito, com aquele homem tão simples.

E é essa a minha oferta a vocês. Uma pequena história, de uma vida que não foi registrada em nenhum livro, em nenhum conto. A vida de um homem simples, que viveu na cozinha.

E hoje, eu entendo. Que precisava daquela simplicidade.

E eu sei que a Alma das pessoas precisa muito da simplicidade. Precisa das perguntas que não têm respostas.

A Alma das pessoas, assim como a minha Alma, sempre precisa do silêncio. Pra poder ouvir, para poder sentir a presença de Deus.

Namastê a todos. Namastê!

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Você está na experiência que precisa viver!

A matemática do Universo é perfeita, nada poderia ter acontecido diferente do que aconteceu na sua vida…

Tudo está no seu devido lugar... Todo o movimento da vida é no sentido da proteção… não perca tempo classificando, comparando ou julgando os acontecimentos. Tudo é bom, tudo vai conduzir você a um novo estágio na sua evolução  –  esse é o objetivo final.
Embora neste momento a sua compreensão não seja exatamente esta, silencie e espere… o tempo se encarregará de lhe mostrar que tudo que nos acontece é útil e necessário… tudo é criação divina… tudo é perfeito do jeito que é!
A mudança assusta, traz desconforto, mas ela é inevitável, faz parte da dinâmica da vida. Assim como não se pode conter as águas de um rio, da mesma forma não se pode conter a evolução humana… temos que seguir em frente…sempre!
É nossa sina caminhar na direção do desconhecido…Quando a gente pensa que chegou, descobre que é preciso ir além… Uma estrada  termina, outra começa. O surpreendente nesta viagem é que nenhuma experiência se perde, tudo nos é acrescentado…ficamos mais e mais  enriquecidos com tudo aquilo que vivemos, seja alegria ou tristeza, dor ou contentamento… A imensidão da vida estará sempre à nossa frente, pronta para ser vivida, quantas vezes forem necessárias…
Estar vivo é magnífico!
A aceitação lhe permite esta descoberta. Se você cria resistência ou aversão a um acontecimento, transformará sua passagem pela Terra num tormento, e não poderá desfrutar da existência que chega a você todo dia gratuitamente… Perceba a quietude das árvores...tudo na natureza é "aceitação". Por aqui não há nenhuma resistência, nenhuma aversão... A confiança no Universo é absoluta.
Tudo que nos é dado, faz parte do aprendizado. Muitas vezes não estamos preparados para perceber este ensinamento, com o tempo as coisas vão ficando mais claras e o nosso coração mais aliviado. Há momentos de angustias, desânimos e revoltas. Aí, nos voltamos para dentro, buscamos estabelecer uma conexão com a centelha divina em nós e lá está a resposta. ELE é o PAI perfeito que nos ama e todos os dias nos dá sinais de que está tudo caminhando conforme nosso merecimento e necessidade para o crescimento espiritual."Você está na Experiência que Precisa Viver..." Então aproveite, este é o seu momento de crescer...

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Eu quero apenas um aluno: o Coração

Havia um Mestre que tinha centenas de seguidores e discípulos. O Mestre sempre oferecia discursos em diferentes lugares – igrejas, sinagogas, templos, escolas e universidades. Sempre que era convidado, e sempre que seus discípulos encontravam oportunidades, ele proferia palestras.

Ele deu palestras para crianças e adultos. Deu palestras para estudantes universitários e para donas de casa. Algumas vezes, proferiu palestras perante estudiosos e os mais avançados buscadores. E assim foi por cerca de vinte anos.

Finalmente, chegou o dia em que o Mestre decidiu descontinuar suas palestras. Ele disse aos discípulos: “Basta! Fiz isso durante muitos anos. Agora, não darei mais palestras. Apenas silêncio. Manterei silêncio.”Durante cerca de dez anos, o Mestre não deu mais palestras. Manteve silêncio em seu ashram e em todo lugar. Ele havia respondido milhares de perguntas, mas agora, nem sequer meditava em público. Passados dez anos, seus discípulos lhe rogaram que retomasse seu antigo costume de dar palestras, responder perguntas e conduzir meditações públicas. Todos pediram, e ele por fim consentiu.

Imediatamente, seus discípulos organizaram eventos em muitos lugares. Colocaram anúncios em jornais e cartazes por toda parte, anunciando que seu Mestre iria proferir palestras novamente e conduzir elevadas meditações para o público. O Mestre ia a esses lugares com alguns de seus discípulos favoritos, que eram os mais devotados e dedicados. Centenas de pessoas se juntavam para ouvir o Mestre e ter suas perguntas respondidas. Mas, para a grande surpresa de todos, o Mestre não dizia coisa alguma.  Do início ao fim dos encontros, por duas horas, ele mantinha silêncio. Alguns dos buscadores na audiência ficavam i
ncomodados.  Muitos criticavam   impiedosamente  o  Mestre e deixavam os discípulos envergonhados, dizendo: “Seu Mestre é um mentiroso. Como vocês justificam colocar anúncios no jornal dizendo que seu Mestre vai dar uma palestra, responder perguntas e conduzir meditação? Ele só faz a meditação e nós não aprendemos coisa alguma com ela. Quem consegue meditar por duas ou três horas? Ele está fazendo a gente de bobo, e se passando por tolo.” Alguns discípulos próximos ficaram muito perturbados. Sentiam-se tristes porque seu Mestre era insultado e criticado. Rogavam ao Mestre para que desse apenas uma curta palestra e respondesse umas poucas perguntas ao final da meditação. Por fim, o Mestre aquiesceu. Na ocasião seguinte, o Mestre não exatamente se esqueceu de que havia concordado, mas mudou de idéia. Em vez de duas, ficou meditando durante quatro horas. Até seus discípulos mais próximos ficaram tristes, já que não podiam zangar-se com o Mestre, pois é um séria falta kármica zangar-se com o próprio Mestre. Todavia, ficaram com medo de que alguém na audiência se levantasse e insultasse o Mestre. Em suas mentes, prepararam-se para proteger o Mestre caso ocorresse alguma calamidade.

Quando quatro horas haviam se passado sem sinal de que o Mestre falaria ou encerraria o encontro, um dos seus discípulos mais próximos levantou-se e disse, “Mestre, por favor, não se esqueça da sua promessa.”O Mestre respondeu imediatamente: “Minha promessa, sim. Eu lhes prometi, e então é meu dever oferecer uma palestra. Hoje, minha palestra será muito curta. Quero dizer que dei centenas de palestras, milhares de palestras. Mas, quem ouviu minhas palestras? Milhares de olhos e milhares de ouvidos. Meus alunos eram os olhos e ouvidos das platéias – milhares e milhares de olhos e ouvidos. Mas falhei em ensinar-lhes qualquer coisa. Agora, quero ter um tipo diferente de aluno. Meus novos alunos serão os corações.

“Ofereci mensagens em milhares de lugares. Essas mensagens entraram por um ouvido e saíram pelo outro, todas no mais curto espaço de tempo. E o povo me viu dar palestras e responder perguntas. Apenas por um breve segundo, seus olhos percebiam algo em mim e, então, tudo se perdia. Enquanto eu falava sobre Verdade, Luz, Paz e Beatitude sublimes, os ouvidos não podiam captá-las porque já estavam cheios de rumores, dúvida, inveja, insegurança e impureza, coisas acumuladas durante muitos anos. Os ouvidos estavam totalmente poluídos e não receberam minha mensagem. E os olhos não receberam minha Verdade, Paz, Luz e Beatitude, porque viam tudo ao modo deles. Quando os olhos humanos vêem algo belo, imediatamente começam a comparar. Dizem, 'Como ele pode ser lindo, seu discurso ser lindo, suas perguntas e respostas serem lindas? Por que eu não posso ser assim?' E, de pronto, chega a inveja. O olho humano e o ouvido humano ambos respondem através da inveja. Se o ouvido escuta algo bom sobre alguém, imediatamente a inveja chega. Se o olho vê alguém belo, imediatamente a pessoa sente inveja.

“Os ouvidos e olhos cumpriram seus papéis. Provaram ser alunos não-divinos, e não pude ensinar-lhes. Seu progresso foi totalmente insatisfatório. Agora, quero novos alunos e tenho novos alunos. Esses alunos são os corações, onde a unicidade crescerá – unicidade com a Verdade, unicidade com a Luz, unicidade com a beleza interior, unicidade com o que Deus tem e com o que Deus é. É o aluno coração que tem a capacidade de se identificar com a Sabedoria, Luz e Beatitude do Mestre. E, quando ele se identifica com o Mestre, descobre a sua própria realidade: Verdade, Paz, Luz e Beatitude infinitas. O coração é o verdadeiro ouvinte, o verdadeiro observador; ele é o verdadeiro aluno que se torna um com o Mestre, com a visão, com a realização e com a Luz eterna do Mestre. De agora em diante, o coração será meu único aluno.”

sábado, 19 de setembro de 2015

A Autoestima e o Sol do Coração

      
   Há pessoas que não se amam  e que também acham que não merecem ser amadas por ninguém. No fundo, consideram-se indignas do próprio amor  e da amizade dos outros.  Acham que Deus ama todo mundo menos elas. Sofrem muito e vivem sempre questionando a razão do desse sofrimento.
Essas pessoas não sabem que a causa do seu sofrimento é carência de amor próprio. O fato de se não amarem gera uma Energia de desamor, que se irradia para  outras pessoas e, em seguida, retorna para elas. Nesse ponto, está o obstáculo que as impedem de experienciar o amor. Tudo na vida funciona através da interação  de energias, assim também os nossos relacionamentos.  
Quando uma pessoa não se ama, quem se aproxima dela o faz para sugar suas energias. O seu padrão energético negativo funciona como um polo de atração de energias afins. Sem amor próprio, portanto, ela não consegue sintonia o com aspecto amoroso das outras pessoas. Se a pessoa se ama, outras pessoas vão amá-la. As energias de amor que emanam dela funciona como um convite para que outras pessoas também  a amam.
O  mundo interno funciona como uma espécie ímã para o mundo externo, atraindo  ou repelindo pessoas, relacionamentos, experiências, negócios e tudo mais, a depender do padrão energético que é gerado.  Cada pessoa, portanto, é  árbitro da  sua  própria felicidade ou infelicidade, visto que é ela própria quem  constrói as situações  que a tornam prisioneira do sofrimento  ou Arautos  do Amor.
O Autoconhecimento é o grande diferencial entre essas duas categorias de pessoas. Com ele, adquire-se a consciência de que o Deus que habita em um habita em todos e que não existe nenhuma razão para alguém considerar-se inferior ou superior aos demais.
A Consciência que se tem dessa Presença é que faz a diferença em tudo. A pessoa que se ama, tem certeza  que Deus mora nela. Essa certeza é o ponto de partida de muitas transformações. É dela que  vem a verdadeira  autoestima.
Se queremos ajudar outras pessoas, devemos ensinar-lhes essa Verdade. Dê-lhes a Luz, e elas passarão a organizar suas vidas. Tudo se transforma a partir do  autoconhecimento. Crie um método para transmitir esse  sublime ensinamento. Isso está sendo feito no  Projeto Reviver.
Quem escolhe droga, não ama a si mesmo. A causa da autodestruição é a falta desse conhecimento  de que o grande sol habita dentro de nós. Distúrbios mentais e emocionais podem ser curados com esse conhecimento. Propaguem-no  e, com esse gesto de amor,  liberte as pessoas.
Cirurgias plástica e outras formas de embelezamento do corpo físico, na verdade,  não geram nem  aumentam a autoestima. Nunca relacione autoestima com aquilo que acaba. Se alguém tem autoestima por causa de sua beleza, ou da  beleza de  outras pessoa, um  simples acidente  que altere essa forma da matéria porá fim a  sua autoestima.
Aprimore o conhecimento da Divina Presença dentro de você, porque a verdadeira autoestima somente tem  as pessoas que amam a Essência Divina dentro delas. Esse é o verdadeiro conceito de autoestima. Assim é o que os mestres orientam sobre o verdadeiro amor.
Todo sofrimento do mundo origina-se do obscurecimento da Presença Divina dentro da gente.            Por isso que o Yoga é a ciência que mata o sofrimento e a morte. O  meu braço pode estar doendo, sem que eu esteja sofrendo.  Tenho dor, mas não sofrimento. O sofrimento é um inferno. É impossível sofrer uma pessoa que tem uma profunda consciência da Presença de Deus dentro dela.
                Olhe para a Grande Vida e aprimore a capacidade de Observação. O Universo é o Mestre  dos Mestres. Aquele que ministra, a todo instante, os mais eficazes ensinamentos. Aprenda com Ele. Renuncie a tudo que impede a realização da ação necessária e também abra mão do desejo de realizar  a ação ilegítima.
                Aprenda a  calar-se. Esse silêncio gera muita energia de unidade e aproxima do coração. O falar desnecessário, afasta-nos desse Santuário. Quando se faz isso, a Usina de Reciclagem transforma a gente e os outros. Confie no Poder da Verdade, pois Ela resolve tudo. Deixe que as ações se resolvam em suas consequências.
                Intensifique  o estudo de Deus dentro de você. Repita, com frequência diária, o mantra Deus está dentro de Mim. O coração é Centro de todos os conhecimentos. Sábio é quem já descobriu isso. A verdadeira Espiritualidade surge a partir  do contato com Espírito dentro de nós. Ela desata todos  nós.
Habitue-se com a simplicidade. O verdadeiro conhecimento tem forma simples. O raiar da Luz do Coração também é muito simples. Veja o exemplo do Sol. A terra está na escuridão, quando ele chega, ilumina tudo. Mas, ele  não vem com banda de música. Surge silenciosamente  como Pura Luz.  Assim, acontece  quando o Sol do Coração surge em nós.





  

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Manual do Renunciante (Sanyasin)


Parte I
Introdução

         O Bhagavad Gita nos ensina que a quase totalidade dos seres humanos não conhece o funcionamento do processo eterno do mundo, e que somente se pode obter esse conhecimento através da Renúncia e da Entrega   (Sanyasa e Tyaga). Ensina que a Busca Suprema deve ser iniciada por meio desse sublime conhecimento (Gita VII,12).
         Sri Jarnadana, no artigo em que comenta o SANÁTANA DHARMA SUTRA, DE BHAGAVAN SRI NARAYANA, ensina que: “o atual estado de completa desunião entre o Espírito e a Matéria no ser humano resulta, profundamente agravado, da sobrecarga de conhecimentos que a condição da alma individual (Jiva) lhe impõe.”
 Esclarece ainda que “os adeptos do conhecimento do Sanátana Dharma colocam de lado essa causa limitante, e logram sua completa liberação.”
 No artigo em que discorre sobre Sanyasa e Tyaga, Sri Jarnadana esclarece: “... somente a teoria, a respeito de alguma coisa, torna-se inútil sem a prática, e vice-versa.”
Jesus, no seu Evangelho da Sabedoria Divina, ao concluir o Sermão da Montanha, ensina: “Aquele, pois, que ouve as minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.”(Mateus 7, 24-29).

Como se vê, existe uma necessidade absoluta de se conciliar o Conhecimento à Prática, visto que um sem o outro não produz bons frutos.
O Manual do Renunciante busca colocar nas mãos dos aspirantes os meios adequados para aquisição do verdadeiro conhecimento sobre o importante tema  “Renúncia e Entrega”, (Sanyasa e Tyaga).

        
Parte II
A BASE TEÓRICA

O  Conceito de Renúncia
O conceito de Renúncia tem sido objeto de muitas controvérsias.  Na Índia, onde é conhecida como Sanyasa, difundiu-se, com grande vigor, o entendimento, defendido pela Escola Vedanta, segundo o qual Renúncia (Sanyasa) significa o completo abandono do Mundo e a dedicação do aspirante, com exclusividade, aos processos subjetivos da busca de comunhão com o Divino.

O Conceito de Renúncia no Bhagavad Gita
O Bhagavad Gita trouxe um novo significado para esse termo,  ensinando que a Renúncia não se constitui  do ato em si,  está relacionada a seus frutos ou resultados, visto que a realização das ações nunca pode ser abandonada inteiramente(Gita XIX, 18)
De acordo com o Gita, o Verdadeiro Renunciante (Sanyasin) é aquele que realiza  as ações necessárias e não está apegado aos seus frutos (Gita XIX,6).
Os aspirantes, “ainda quando atuando no processo do mundo, não encontram obstáculos que os impeçam de lograr a aproximação a Deus”. (Gita XXII, 25).

A Base Sintética do Funcionamento
Esse funcionamento, para ser realizado com êxito, exige que o aspirante  tenha previamente conhecimentos de base sintética.
 O conhecimento que inspirou a Escola Vedanta estava destituído dessa base. Para os Vedantas, Deus e o Mundo estão separados, e a opção por um, exclui o outro.
No enfoque de base sintética,  o Mundo é a  manifestação de Deus e ambos constituem uma Realidade Única.
De acordo com esse entendimento, o próprio Deus (Brahm) é quem opera, como Princípio Vital (Atma), como  Matéria (Prakriti) e como  Energia ou Força (Shakti). Esses são os três níveis de funcionamento do Universo, e é através do  ser humano que esse processo se realiza.
O conhecimento sintético leva à União (Yoga), os outros, que não possuem essa base, conduzem à Separação. A Yoga é, em si mesma, uma aplicação prática do enfoque Sintético.
Não é possível que se realize devidamente qualquer ação sem o conhecimento correto. De todos os conhecimentos, o Sintético é o Supremo, porque facilita e direciona para Unidade.
O Bhagavad Gita é um tratado sobre  a Ciência Sintética do Absoluto, ou “Yoga Brahma Vidya”, que  apresenta uma exposição completa sobre  Deus  e o Mundo.
 Nesse Livro, revela-se, através de método científico, que Tudo é Deus, que Tudo é da Natureza de Deus e que  Tudo é necessário.  
Os ensinamentos contidos no Gita apontam, precisamente, como transcender a tendência separatista da Escola Vedanta, e como inculcar a ideia da Unidade, que deve ser buscada, através de esforços de ordem espiritual e temporal.

A amplitude da Renúncia
A Renúncia (Sanyasa), que incide sobre o núcleo  do “Eu”  egocêntrico,  não só se refere  à ação física, mas a  todas as demais esferas, como a intelectual, mental ou  emocional.

A sintetização das Dualidades contrapostas
A Renúncia com tal amplitude só é possível acontecer quando se transcende  primeiramente a ideia equivocada das dualidades contrapostas,  sintetizando-as no Deus Único, que é a Origem  de todas as manifestações.

A transcendência da Separatividade
Somente pode ser considerado um Renunciante, no verdadeiro sentido da palavra, aquele que transcendeu a Separatividade. Não importa qual seja seu estilo de vida, porque  já não mais ambiciona os frutos da  ação nem para si mesmo, nem para o outro.
  
Os frutos da Impessoalidade
O Renunciante, em virtude de haver sintetizado na Unidade as contraposições entre pensamentos, palavras e obras, e renunciado ao personalismo do “Eu” egocêntrico, exerce pleno controle sobre sua Mente Emocional, está livre do jugo da Cobiça e possui Intelecto Desapegado.
Essas conquistas transformam o aspirante num servidor impessoal do mundo; conduzem-no a um estado de completo desapego e o libertam do processo compulsivo de ações e reações.
Não se alcança essa liberdade negando-se a iniciar qualquer trabalho, nem tampouco se renunciando à ação que deve ser executada.  Alcança-se neutralizando, em todas as ações, as preferências pessoais; de forma que, em qualquer ato que se execute, ou que se desista de executar, tenha-se a consciência de que não se é o autor. “Nada Faço, nem sou causa de que nada se faça”.

O Discernimento Sintético e a Renúncia
Para se alcançar, em todas as ações, essa postura mental, deve-se  compreender corretamente a base sintética das manifestações duais, pois aquele que carece de discernimento sintético tem grande dificuldade de  renunciar ao fruto da ação (Gita XIX,4).

O Estudo das Dualidades
É necessário, também, estudar e entender   a   composição essencial e a dinâmica  das dualidades, não só em nosso corpo, como também no  mundo. Esses dois aspectos constituem o Conhecimento Real e Verdadeiro.

O Processo da Renúncia e os seus efeitos sobre o Ego
A Renúncia funciona como um fator que dissolve o sentido de separação no ego do homem. Veja  como isso ocorre.
As ações realizadas sem renúncia ao fruto criam vínculos (apegos) que ligam o Ego aos resultados. Os apegos alimentam e sustentam o sentido de Separação do Ego, já que ele imagina sinceramente que é o autor das ações, portanto pode se apropriar dos seus frutos.
Quando se começa a  renunciar os resultados das ações, cessa-se a geração de novos vínculos (apegos), pois o influxo da Luz da Unidade, gerada pela Renúncia, enfraquece e desfaz, gradualmente, os vínculos (apegos) existentes.  

A Entrega (Tyaga)
Com isso, o sentido de existência separada vai-se enfraquecendo  até o ponto em que o Ego,  passando a reconhecer a  Sagrada Unidade da Vida, rende-se ao Grande Eu, aceitando-o como Mestre Divino, Governador Interno e Doador de Todo Bem.
O reconhecimento e a aceitação devem ser vistos  como a própria  Entrega,  que  é o resultado  da unificação das multiplicidades contrapostas no Deus Único  e em seu Poder (Shakti).
A Entrega ao Divino, que mora no Santuário do nosso coração, vai crescendo em amplitude, à  medida em que aumenta o reconhecimento da Imanência Divina em todos os processos da vida.

Os graus de intensidade da manifestação Divina
Os graus de intensidade da manifestação do Deus Único, que reside dentro e fora de tudo, estão condicionados pela natureza da Energia (Shakti) e da Matéria (Prakriti) com as quais os seres humanos estão associados.
 É dessa forma que se diferenciam, em progressiva ascendência, os  graus de intensidade da manifestação  do Deus Único, através daqueles  que seguem o Caminho  das Ações (Karma Yoga),  o Caminho da  Devoção (Bhakti Yoga) e o Caminho do  Conhecimento (Gnana Yoga).
O ponto culminante dessa escala ascendente de realização divina ocorre no Plano Turya, o Quarto Plano, através daqueles que seguem o Caminho da Síntese (Atma Yoga), que logram o contato com a Divindade manifestada no seu aspecto pleno de Eterna Yoga (Paramatma).

Deus, o Ator Universal
 Deus Pleno (Paramatma) é o Único Ator, o Desfrutador, o Criador, o Sustentador, o Mantenedor  e  o Convergidor  de todas as coisas. No eterno processo do Mundo, não passamos de meros instrumentos, por meio dos quais as ações se concretizam.
 Como, porém, só percebemos essa verdade de forma lenta e progressivamente, somos arrastados fatalmente pelo torvelinho do processo evolutivo mundial. “...Tu Savyasachin, procura ser meramente o agente externo de tudo isso.(Gita XII, 31).
  
Os elevados frutos da Renúncia e da Entrega
 Mediante a Renúncia e a Entrega alcança-se o Purusha, que é o  Aspecto Imanifestado, em eterna Yoga (Unidade) e o mais elevado da Divindade, inclusive superior   a Sat Chit Ananda (Verdade, Inteligência, Bem-Aventurança).
 A Renúncia e a Entrega são extremamente importantes, não só para as etapas superiores do Yoga, mas também para nossa vida diária, já que  nos coloca em sintonia com as Leis Divinas, que regem o funcionamento do Universo.

A natureza do aspirante que desenvolveu a Renúncia
A natureza do Aspirante dedicado à Senda da Ação, que chegou a desenvolver plenamente a Renúncia (Sanyasa)  e a Entrega (Tyaga)  é descrita no Bhagavad Gita da seguinte forma: “Aquele que os Videntes (De visão sutil, que veem os Tatwas) reconhecem como o Princípio Átmico, associado com a matéria, manifestando-se como causa e efeito, esse sou Eu, o Morador Interno, sem princípio, meio nem fim”(Gita II,6).
O Renunciante adora o Supremo Deus como a Divina Imanência (Antaryami), que mantém unidos todos os seres, como estão  as contas de um rosário (Gita XII,7).
  
As cinco causas das ações que governam os seres humanos e o mundo 
         Embora seja a Causa Total, o Supremo Deus manifesta-se como as Cinco Causas que governam os seres humanos e o Mundo.

1ª Causa - O Espírito Santo  Universal (Atma).
A Causa Espiritual é a principal de todas as ações humanas. Na verdade, Deus é Ator Universal, que age através de suas criaturas.  A Sua Santa Presença é que sustenta e dá Vida a todos os Seres.  É Ele a Inteligência e a Consciência por trás de  todas as Mentes e Intelectos.
É quem percebe através de todos os Sentidos,  e sente através de todas as Emoções.  É Quem vê através de todos os olhos, e  escuta através de todos os ouvidos. Ele é a Grande Vida que, embora Una e Indivisível, atua como se fosse múltipla e separada.
2ª Causa - Os Corpos Físico e  sutis.
 Essa é a Causa Material e a base através da qual se realizam as ações. Nos minúsculos e sutis átomos desses corpos estão armazenadas as energias que contêm a programação do Karma individual, e onde se encontram presentes alguns comandos energéticos que influenciam poderosamente as nossas ações na vida presente. Aí também estão guardadas as sementes de todas as nossas emoções, cargas e condicionamentos.
3ª Causa – O Aspirante, o Desejo ou Vontade.
O Desejo é uma das Energias Divinas responsáveis pelo funcionamento dos seres humanos no processo do mundo. Sri Janardana ensina que “Karta, o atuante, se equipara ao Desejo ou Vontade (Iccha), tendo em vista o fato de que todo Ser Individual é primeiramente Energia Desejo, ou, se assim, o preferir, um Desejo Ativo.”
4ª Causa - Conhecimento (Gnana).
 A exemplo do Desejo, o Conhecimento é uma das três Energias Divinas responsáveis pelo funcionamento dos seres humanos. É elemento fundamental na realização de qualquer ação. Sem o necessário conhecimento nenhum ato  pode ser realizado perfeitamente.
5ª Causa – Ação ou Atividade (Kriya)
Ação ou Atividade é também uma Energia Divina responsável pelo funcionamento dos seres humanos.
Das cinco causas das ações humanas, o Espirito Santo Universal (Atma) representa o Aspecto Espiritual. Os Corpos (físico e sutis) representam o Aspecto Material. O  Aspecto da  Energia está representado pela  Stri-Shakti (Energia tríplice), a Energia feminina  do Conhecimento, do Desejo e da Ação.

Deus, o verdadeiro Ator Universal
Na verdade, Deus é o Ator Universal que, através dos seus dois corpos, o Espiritual (Atma) e o Material (Prakriti), e da Sua Divina Energia a Brahma-Shakti, sob a forma de Stri Shakti,( a Energia do Conhecimento  ou Gnana-Shakti; a Energia do Desejo ou Iccha-Shakti e a Energia da Ação  ou Kriya-Shakti), realiza todas as ações.

O Sinal do Renunciante
  O verdadeiro Renunciante é aquele que, compreendendo a base sintética de todas as ações, atua no processo do mundo como mero instrumento externo da Divina Providência.


Parte III
Regras para serem colocadas em Prática

  Neutralização das preferências pessoais
Sem preferências pessoais, dotado com discernimento sintético, havendo transcendido as dualidades e estando completamente entregue à Vontade Divina, o Renunciante, que conquistou a verdadeira liberdade, nada o aborrece, nem nada deseja, pois está sempre pronto para realizar, com amor e dedicação, todos os atos necessários. (Gita, XIX, 3).

 Realização de todas as ações necessárias
O verdadeiro Renunciante reconhece, não só a obrigação de realizar todos os atos que correspondem aos seus deveres legítimos (necessários), como também percebe a necessidade absoluta de omitir as ações desnecessárias e ilegítimas, discernindo entre a escravidão gerada pelo medo, e a liberação obtida mediante a coragem. (Gita XI,7).
Ele não repudia a execução dos atos necessários, nem deseja abandonar o cumprimento dessas ações. (Gita XIII, 21).

 A desistência das ações físicas.
As ações humanas são físicas, mentais ou emocionais e intelectuais. O ato físico corresponde a apenas uma parte da esfera de abrangência dessas ações. Daí porque a simples desistência da ação física não configura a plenitude da Renúncia. Quem desiste da ação física, portanto, nunca poderá ser um verdadeiro Renunciante (Gita XIX, 6).

Dedicação apenas à Purificação dos sentidos, da Mente e do Intelecto.
Há pessoas que, esquecidas de que vivem num mundo da ação, dedicam-se, com exclusividade, ao processo de purificação das atividades do Intelecto, da Mente emocional e dos sentidos, imaginando equivocadamente que  esse caminho, tingido de egoísmo, conduz à realização.(Gita XIX,6)
Só pode conhecer o eterno processo do mundo o aspirante profundamente compreensivo, carente de toda perspectiva egoísta, mediante o completo desapego” (Renúncia e Entrega). Logo, por meio desse conhecimento, a Busca Suprema deve ser intentada”.(Gita VII, 12-13).

 A Busca do Discernimento Sintético (Bhávana)
O primeiro passo para o avanço, com êxito, na Senda do Divino é, sem dúvida, a Renúncia (Sanyasa) e a Entrega (Tyaga). Aqueles que não possuem discernimento sintético dificilmente conseguem alcançar o estado de Renunciante.  O sábio que possui tal discernimento, logo adquire Bem-Aventurança Divina (Gita XIX, 4).
O Renunciante, compreendendo que Tudo é Deus, que Tudo é da Natureza de  Deus e que Tudo é necessário,  ainda que esteja envolvido com as ações, não sucumbe escravizado por elas. Ele está consciente da sua condição de instrumento externo das Ações e da Verdade de que Deus é o Ator Universal. (Gita XIX,5).

Abandono do Egoísmo e das ideações da personalidade
O egoísmo e a formação de ideias com base na personalidade separada são obstáculos para se alcançar a Renúncia. Há, portanto, absoluta necessidade de se abandonar essas posturas que limitam o campo da ação humana. Sem isso, ninguém pode se converter em Renunciante (Gita XIX, 7).

Apego às ações que geram prazeres aos sentidos
O Renunciante Perfeito é aquele que não está apegado às ações que proporcionam prazeres aos sentidos (Gita XIX,8).
 Ele está consciente de que “as experiências que resultam do contato com os objetos dos sentidos são geradoras de sofrimento, porque estão limitadas a um princípio e a um fim. Daí porque ele não se deleita com elas” Gita (XVI, 24).

Abandono do  Desejo Passional
O desejo é uma Energia Divina que desempenha papel fundamental no processo do mundo. Quando, porém, ele é originário da paixão traz consigo uma força cega e descontrolada, que conduz o aspirante a experiências de dor e sofrimento.
 Para se alcançar a perfeição na senda da Renúncia, portanto, é necessário abandonar  todo desejo decorrente da paixão (Gita XIX,8).

 Omissão das ações necessárias
 A omissão das ações necessárias nunca é aprovada. Sem a execução desses atos desinteressados, o curso da vida, no evolucionário processo do mundo, nunca será totalmente cumprido. (Gita XXII,24).
O Renunciante sabe que, quando não se executam as ações devido a carência de discernimento espiritual (Átmico), a omissão atrai, para seus corpos, átomos e moléculas de energia da obscuridade e da inércia (Tamásicos); dificultando, assim, o seu progresso no caminho da Busca Suprema. (Gita XIX,14).
De igual modo, tem consciência de que a omissão dos atos necessários, devido as dificuldades, ou por temor ao esforço físico, também atrai  átomos e moléculas de natureza  agitada (Rajásicos) (Gita XIX,15). 

Abandono da realização das ações
A realização das ações nunca pode ser abandonada inteiramente. Aquele que renuncia ao fruto das ações necessárias é considerado o Verdadeiro Renunciante. (Gita XIX, 18).
  
A sedução dos Sentidos
As ações que realizamos na vida, ora se apresentam como agradáveis, ora como desagradáveis.
As dualidades do agradável e do desagradável residem nos sentidos, que tomam contato com os objetos que os impressionam.
Como a natureza dos nossos sentidos físicos é a dualidade, quando eles entram em contato com qualquer objeto, desperta-se  um gosto, ou um desgosto, relacionado  àquele objeto.
 Quando, por exemplo, ouvimos uma música (sentido da audição), imediatamente, gostamos ou não gostamos dela.  Saboreamos um alimento (sentido do paladar), e reagimos da mesma forma. Olhamos para alguma coisa, achamos, ou não, bonita. É da natureza dos sentidos, portanto, pender para um, ou outro lado das dualidades.
Os sentidos, buscando sempre o lado agradável das coisas, conquistam o Ego, que quase sempre sucumbe à sedução do prazer, esquecendo-se do que é bom e necessário para sua felicidade e evolução: As Ações Necessárias.
O aspirante, portanto, deve tomar cuidados para não se render à sedução dos sentidos, nem se desviar do caminho da verdadeira ação.
 Assim, ele nunca deve deixar de executar as ações, só porque estas, junto com seus frutos, são desagradáveis; nem também deve realizá-las somente, porque são agradáveis, sem levar em conta a sua real necessidade e utilidade. (Gita XIX,17).

A influência dos aspectos agradáveis ou desagradáveis das Ações.
 Os Verdadeiros Renunciantes não cedem à influência das dualidades agradáveis ou desagradáveis, porque sabem que ambas, quando evoluem para paixão pessoal, confundem a visão do caminho, direcionando para a execução de ações incorretas. (Gita XIX,20).
O conhecimento da verdadeira ação é obscurecido pela influência das paixões pessoais, que consomem o entendimento, até o do aspirante inteligente, sendo consideradas, juntamente com a ira, como os mais perniciosos e destrutivos inimigos do aspirante que busca o Ideal Divino. (Gita XIX, 22-23)
            As paixões pessoais e a ira tem campo de operação nos sentidos, na Mente e no Intelecto, influenciando-os.
           São elas que obscurecem o discernimento espiritual e confundem o aspirante. (Gita XIX, 24).

 A Direção espiritual dos sentidos
      Dirigir espiritualmente os sentidos, para transcender a paixão, que obstrui a inteligência e o conhecimento. (Gita XIX,25).

Realização de ações impessoais
“A consequência da ação impessoal (Satwica) é harmoniosa e iluminativa. (Gita XVIII, 3).

Ações incorretas
 As ações executadas com apego a seus frutos, egoisticamente e com violência (Rajásica) têm como consequência  a dor. (Gita XVIII, 3)
As ações iniciadas sem discernimento espiritual, sem ter em conta o esforço necessário para realizá-las, e sem preocupação com a natureza do resultado, causam danos e perdas ao mundo (Tamásicas), e têm como consequência a ignorância do discernimento espiritual.
 (Gita X,15, e XVIII, 3)

Realização de Sacrifícios (Yagnas), de Caridade (Dana) e de Austeridades (Tapas)
O verdadeiro Renunciante é aquele que, rendido à Vontade Divina, sem preferências pessoais, está completamente devotado à realização das ações necessárias, com vistas ao progresso e bem-estar da humanidade.
Nessa condição, ocupa-se com a execução das ações necessárias conhecidas como Sacrifício (Yagna), Caridade (Dana) e Austeridade (Tapas).

Realização de Sacrifícios sem desejar seus frutos
Sacrifício é um ato oferecido à Divindade. Ele pode ser físico, mental ou intelectual. Deve ser executado sem desejar fruto algum como recompensa e porque sua execução é justamente necessária. (Gita IX,11).
  
Realização da Caridade com discernimento Atmico
Caridade é doar algo a alguém, mas é, sobretudo, oferecer-se integralmente ao Divino no Santuário do próprio coração.
No ato de doar algo, deve-se fazer sem o propósito de se obter qualquer tipo de retribuição ou benefício e com o devido discernimento, quanto à oportunidade, ao lugar e à conveniência. (Gita IX, 20).

Realização das austeridades desinteressadamente
Austeridade é a atuação coordenada das três faculdades: do conhecimento, do desejo e da ação.
Elas devem ser realizadas sem qualquer interesse no resultado, evitando-se realizá-la de forma ostensiva, para angariar reconhecimento, respeito e estima. (Gita IX, 17-18).
As Austeridades do corpo
Reverenciar a si próprio, ao Mestre (Guru), aos Iniciados e aos Videntes (De visão sutil que veem os Tatwas) Praticar a Limpeza, a Retidão nas Ações, a Continência e a profunda Humildade. (Gita IX, 14).

  Austeridades da Palavra
Falar numa linguagem inofensiva, que deve ser verídica, doce e benéfica. Realizar, de forma continuada, o estudo da Ciência Adhyatmica. (Gita IX, 15).

Austeridades da Mente
 Manter a Serenidade de Pensamento, o Contentamento, a Calma, a Vigilância Mental e a Pureza de Intenção. (Gita IX, 16).

Realização dos atos necessários com desapego
 Realizar todas essas ações necessárias desapegadamente e sem desejar os seus frutos, porque elas purificam seus veículos e geram energias divinas para sua felicidade. (Gita XIX,12).